Terrorista Cesare Battisti é preso na Bolívia e extraditado para Itália

Ministro italiano Matteo Salvini: "Posso garantir que Cesare Battisti passará o resto da vida na cadeia" Ministro italiano Matteo Salvini: "Posso garantir que Cesare Battisti passará o resto da vida na cadeia"

Ministro Matteo Salvini reforçou versão de que Battisti é "assassino" e prometeu "garantir" que o terrorista "passe o resto de sua vida na cadeia", é um "grande presente"

 

Com Agências

 

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, celebrou a prisão de Cesare Battisti, efetuada na Bolívia, e agradeceu ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL) por ter "tirado a proteção" do terrorista, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos ocorridos na década de 1970 – aos quais Battisti nega a autoria.


Durante evento na Escola de Formação Política de Lega, em Milão, Salvini disse que a prisão de Battisti representa um "grande presente a 60 milhões de italianos". "Estamos preparando a chegada desse maldito criminoso à Itália. Obrigado a todos que possibilitaram essa mudança. [...] Ao novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que retirou a proteção... Porque ele [Cesare] é um assassino. Não é um escritor, ou um ideólogo", discursou o ministro.

 

A "proteção" mencionada por Salvini se trata do asilo político concedido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2010. Apesar do discurso do italiano, a medida foi revogada por decreto assinado ainda durante a gestão de Michel Temer (MDB), em 14 de dezembro, no dia seguinte à ordem de prisão proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux.

 

A declaração de Salvini se aproxima da mensagem escrita mais cedo por um dos filhos de Bolsonaro , o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), nas redes sociais. "Um pequeno presente está a caminho", disse Eduardo, em italiano, ao próprio Salvini.

 

O ministro do Interior italiano é uma das principais lideranças da extrema-direita no país europeu. Ele vem acenando ao governo brasileiro desde a eleição de Bolsonaro, que havia prometido que Salvini podia "contar conosco" em relação à extradição de Battisti .

 

"Quanto mais cedo ele [Cesare] puser os pés na cadeia, melhor para todos", disse o italiano em entrevista concedida neste domingo (13) a uma TV do país. "Eu posso garantir que ele vai passar o resto de sua vida na cadeia. Independentemente dos arranjos passados", completou.

 

Preso enquanto caminhava, com disfarce com cavanhaque e óculos de sol, por ruas da cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, Cesare Battisti deve ser extraditado ainda hoje para a Itália. Os governos italiano e boliviano firmaram acordo para que o terrorista seja enviado diretamente à Roma , sem fazer escala no Brasil – como desejava o governo Bolsonaro.

 

Mais

Condenação

 


Condenado à revelia à prisão perpétua na Itália, Battisti, de 64 anos, Battisti é acusado de ter cometido quatro assassinatos na Itália entre 1978 e 1979: contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

 

Na época, Battisti integrava a organização Proletários Armados Pelo Comunismo. Ele nega envolvimento nos homicídios e se diz vítima de perseguição política.

 

Battisti passou por México, França e Brasil, onde a Justiça rejeitou em um primeiro momento sua extradição para a Itália para depois autorizá-la.

 

A Itália quer punir um dos últimos protagonistas dos "anos de chumbo" de violência dos anos 1970.

 

Luta armada (1970)


Battisti, um poliglota de voz suave e conhecido por suas polêmicas, nasceu no sul de Roma em 18 de dezembro de 1954 em uma família comunista, mas também católica, como ele.

 

Após passar várias vezes pela prisão por crimes comuns, no final dos anos 1970 entrou para a luta armada dentro do grupo Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

Vitinas do terrorista mortos em processo que consenou Battisti

 

"Tentar mudar a sociedade com as armas é uma estupidez, mas bom, naquela época todo mundo tinha pistolas", declarou em 2011. "Havia guerrilheiros no mundo inteiro, a Itália vivia uma situação pré-revolucionária", acrescentou.

 

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