Investigação contra Lula no "mensalão" é reaberta

Ministério Público e Polícia Federal voltam a apurar suposta participação de ex-presidente em repasses da Portugal Telecom ao PT

 

Com Agências

 

Sem implicar Lula diretamente, a crise do "mensalão" veio à tona há 12 anos e o julgamento do caso foi ao plenário do Supremo Tribunal Federal em 2012, mas a tentativa de atribuir responsabilidade ao ex-presidente no escândalo continua.

 

Dois anos depois de pedir o arquivamento da investigação contra o ex-presidente, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal decidem voltar novamente suas atenções ao esquema envolvendo o publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão, com o objetivo de investigar a suposta participação de Lula em uma negociação entre a Portugal Telecom e o PT.

 

Nesta quinta-feira 9, o Ministério Público federal e a Polícia Federal reabriram o inquérito para investigar se o ex-presidente participou das tratativas de um suposto repasse de 7 milhões de dólares da empresa para o partido. A apuração foi aberta em 2013, a partir de um depoimento de Valério, mas teve seu arquivamento solicitado pela Procuradoria no Distrito federal em 2015, sob o argumento de que não foi possível rastrear os desembolsos da Portugal Telecom.

 

À época, o juiz responsável pelo caso não concordou com o arquivamento e determinou ao MPF uma nova análise do material. O inquérito foi redistribuído a outro procurador, Ivan Marx, que agora vai tocar a investigação.

 

Não é a primeira vez que Marx analisa um caso contra Lula. Em julho de 2016, o procurador apresentou uma denúncia contra o ex-presidente, o ex-senador Delcídio Amaral e mais seis acusados por obstrução da Justiça. Por outro lado, ele pediu recentemente o arquivamento da investigação ao não encontrar elementos que corroborassem a denúncia de que Lula teria pedido a criação de uma espécie de gabinete de crise no senado contra Lava Jato, acusação baseada na delação de Delcídio.

 

O procurador também foi responsável por um parecer no qual não entendeu haver crime comum nas pedaladas da equipe do governo de Dilma Rousseff, argumento utilizado pelos parlamentares para destituir a presidenta eleita.

 

Em julho deste ano, Marcos Valério fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, após ter a ofertada negada pelo Ministério Público. Por envolver políticos com foro privilegiado, a colaboração tem de ser homologada pelo STF, que ainda não referendou o acordo.O conteúdo da delação ainda não veio a público.

 

A assessoria de Lula afirma que "não há nada que justifique a reabertura dessa investigação agora. "As acusações de Marcos Valério foram feitas em 2012 e investigadas por 3 anos. Ambos os Ministérios Públicos de Portugal e do Brasil pediram o arquivamento delas por total falta de provas", diz a nota.

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