Entre o Público e o Privado, ministro Meirelles lucrou R$ 167 mi com consultoria

Homem mais poderoso da economia do país, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu, três meses antes de assumir a pasta, R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior e que foram usadas para receber pagamentos de grandes empresas, incluindo a J&F, do delator Joesley Batista. O ministro recebeu, ainda, outros R$ 50 milhões quatro meses depois de ocupar a Fazenda.

 

Antonio Coelho de Carvalho é jornalista

 

Henrique Meirelles e Joesley Batista dono da JBS são goianos de Anápolis, cidade que também é o berço de Carlinhos Cachoeira, deixando a progressiva cidade de lado. O que une os três personagens são suas relações como o poder público. Relações nem um pouco republicana para se falar a verdade. Meirelles vem de uma linhagem de políticos da tradicional politica goiana. Foi até diretor do falido Banco do Estado de Goiás (BEG). Antes de assumir a presidência do Baco Central (BC), no governo Lula abriumão do mandato de deputado federal pelo PSDB de Goiás, a confiança na presidência do BC era tanta que nem mesmo tomou posse na Câmara Federal.

 

Sua carreira iniciou-se no BankBoston onde trabalhou por 28 anos com atuação nacional e internacional.Onde chegou a presidência. Nos governos Lula exerceu cargo com status de Ministro de 2003 a 2011. De 2012 a 2016, foi presidente do Conselho de Administração da J&F Investimentos, empresa cujo donos são os Irmãos Batista. Ele também foi membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas.

 

Méritos a parte, e politicagem para outra, nas relações entre o público e o privado a transparência sempre é bem vinda. Aos que se escondem nos subterfúgios dos imbróglios travestidos em negociatas escusas das propinas pagas como “consultorias”, como nas relativas a operação Zelotes, que segundo o Ministério Publico livrou BankBoston de R$ 509 milhões em multas, são mais velhas que a politica brasileira. Isso foi constatado por auditores da Receita Federal, Policia Federal e chancelada pelo Ministério Publico Federal e pela Justiça Federal,seu antecessor na pasta da Fazenda Antonio Palocci que o diga.

 

A Operação Zelotes deflagrada pela Polícia Federal do Brasil em2015, para investigar um esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão colegiado do Ministério da Fazenda, responsável por julgar os recursos administrativos de autuações contra empresas e pessoas físicas por sonegação fiscal e previdenciária.

 

São Investigadas ao menos 70 empresas, destacando-se alguns dos maiores grupos empresariais do Brasil, como Gerdau, BankBoston, Mundial-Eberle, Ford, Mitsubishi, Banco Santander, Bradesco, Banco Safra e o Grupo RBS, afiliado da Rede Globo no Rio Grande do Sul. O Partido Progressista também está sendo investigado, assim como o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva e um de seus filhos.

 

Ainda segundo a denuncia do MPF que foi acolhida pela Justiça Federal, a poderosa instituição (BankBoston)pagou cerca de R$ 25 milhões a uma organização criminosa para obter vantagens em processos que tramitavam no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Segundo o despacho do juiz, “foram verificados diversos atos de corrupção, gestão fraudulenta, desvio de dinheiro da instituição financeira e lavagem de dinheiro relacionados a casos de compensação, encerramento ou revisão de autos de infração/créditos tributários em favor do BankBoston/Itaú, mediante a intervenção da organização criminosa”.

 

Mais uma vez a sociedade assiste estarrecida a sangria do dinheiro público. Dinheiro esse que ao invés de ser investido na infraestrutura do país , na saúde na educação, segurança acaba indo para a iniciativa privada das grandes corporações, como as citadas acima. Instituições que como os irmãos Batista, não têm compromisso com pais, só com o lucro fácil. Empresas que pagaram propinas para a exclusão e extinção de multas aplicadas por já estarem fazendo o errado. A sociedade esta cansada de tanto desfalque é hora de dar um basta nesses asseclas do erário.

 

Antonio Coelho de Carvalho é jornalista

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