Raquel Dodge pede acesso a material apreendido pela PF junto a amigos de Temer

Chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Raquel Dodge quer acesso ao material apreendido com amigos de Temer Chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Raquel Dodge quer acesso ao material apreendido com amigos de Temer Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A procuradora geral da Republica Raquel Dodge enviou pedido ao STF; apreensões em endereços de Rocha Loures e do coronel Lima se deram em investigação


Por iG São Paulo

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) cobrando o acesso ao material apreendido pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades acerca do chamado decreto dos Portos . O presidente Michel Temer é um dos alvos desse inquérito.

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, requer o compartilhamento dos documentos e demais materiais apreendidos nos endereços do ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures e do ex-coronel da Polícia Militar, João Batista Lima Filho, conhecido como coronel Lima. A PGR também quer analisar as apreensões feitas nas sedes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e das empresas Rodrimar (peça-central na investigação) e Argeplan (que pertence ao coronel Lima).

 

As informações são da TV Globo , segundo a qual o ofício enviado por Dodge foi assinado no dia 9 de abril. A reportagem do iG pediu acesso ao documento junto à PGR, mas ainda não obteve retorno.

 

Amigo pessoal de Temer, o oficial da reserva da PM paulista é apontado como responsável pela "gerão do recebimento de recursos e doações de campanha para Michel Temer há décadas", conforme afirmou o Ministério Público Federal (MPF) em pedido de prisão rejeitado no início deste mês pela Justiça Federal em Brasília. Essa versão sobre a relação do coronel Lima com o presidente foi corroborada por depoimentos dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, ambos executivos do Grupo J&F; e do lobista Lúcio Funaro.

 

O coronel Lima chegou a ser preso por alguns dias no fim do mês passado, no âmbito da Operação Skala. A Polícia Federal vinha tentando ouvi-lo desde junho do ano passado, mas ele alegou problemas de saúde nas ocasiões em que foi acionado e não chegou a prestar depoimento.


Investigação sobre o decreto dos Portos

Temer é investigado nesse inquérito por supostamente ter recebido propina da Rodrimar, empresa que opera o Porto de Santos (SP), em troca de favorecimentos à empresa por meio do decreto assinado em maio do ano passado que regulamenta contratos de concessão e arrendamento do setor portuário. Rocha Loures, que já foi gravado recebendo mala com R$ 500 mil de executivos da JBS, teria sido o responsável por retirar a propina da Rodrimar a Temer. Os dois negam as acusações.

 

Em fevereiro, o então diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, chegou a afirmar em entrevista que a "principal prova" colhida pelas investigações até aquele momento tratava-se de uma gravação de conversa entre Rocha Loures e o assessor jurídico da Casa Civil Gustavo Rocha.

 

No diálogo, Gustavo defende que o texto do decreto dos Portos não deveria incluir regra para beneficiar empresas que conseguiram concessões antes do ano de 1993 (caso da Rodrimar), pois isso poderia causar "exposição" para o presidente.

 

Loures também foi gravado ao telefone com os empresários vinculados à Rodrimar Ricardo Conrado Mesquita e Antônio Celso Grecco. Os dois também são investigados no inquérito que tramita no STF sob a relatoria do ministro Luís Roberto Barroso.

 

Além desse inquérito, o presidente Michel Temer também é alvo de outro processo que apura suposta propina paga pela Odebrecht a campanhas do MDB por meio de doações eleitorais via caixa dois.

 

Avalie este item
(0 votos)

Mais notícias - Brasil

Cidades

    Política

      Tocantins

        Brasil

          Tocantins

            Opinião

              Topo