CCR revela caixa dois para políticos em SP veja alguns citados

Ministério Público assinaram um termo de autocomposição em que a empresa se compromete a pagar R$ 81,5 milhões para não sofrer penalidades, como a suspensão da concessão Ministério Público assinaram um termo de autocomposição em que a empresa se compromete a pagar R$ 81,5 milhões para não sofrer penalidades, como a suspensão da concessão

Em acordo com Ministério Público, concessionária diz que ex-governadores e deputados de partidos como PSDB, PT, MDB e PTB receberam repasses, empresa se compromete a pagar R$ 81,5 milhões para não sofrer penalidades

 

Por iG São Paulo

 

O grupo CCR, companhia que atua em concessões de estradas e aeroportos, e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) fecharam acordo de leniência que revelou a existência de caixa dois de pelo menos R$ 30 milhões, destinados a campanhas eleitorais de ex-governadores e deputados de São Paulo. Cerca de 15 políticos são citados. As informações são do jornal O Estado de São Paulo .

 

A CCR , uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura e transportes da América Latina, admitiu que repassou valores por meio de doações ilegais a políticos do PSDB, PT, MDB, PTB e outros partidos. Entre os beneficiários, há parlamentares com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Para se livrar de processos contra a companhia e contra algumas de suas controladas, a empresa se dispôs a pagar uma multa de R$ 81 milhões, sendo que R$ 17 milhões serão doados à biblioteca da Faculdade de Direito da USP. Se a promotoria encontrar provas de que houve corrupção, o acordo será desfeito.

 

Os nomes ainda permanecem em sigilo mas, de acordo com apuração do jornal Folha de S.Paulo , estão incluídos o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD) e o senador José Serra (PSDB). Nenhum dos três se manifestou quanto ao assunto até o momento.

 

Em maio deste ano, o promotor José Carlos Blat, que negociou o acordo de leniência com a concessionária, disse ter coletado relatos que apontavam repasses que totalizam R$ 23 milhões a três políticos do PSDB de São Paulo entre 2009 e 2012. Alckmin constava dessa lista como beneficiário de doação de R$ 5 milhões, que teriam sido pagos ao cunhado do ex-governador, o empresário Adhemar Ribeiro, e usado como caixa dois em sua campanha de 2010.

 

À época, a defesa de Alckmin disse que "o fato nunca existiu" e que, portanto, "é falso".

 

A investigação começou com a delação do operador Adir Assad e o acordo teve origem em duas ações recentes da Operação Lava Jato no Paraná, após longa negociação com cinco executivos da CCR e um grupo de promotores que atuam na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

 

No acordo com procuradores da Lava Jato, Assad afirmou que era amigo do ex-presidente da concessionária, Renato do Valle, e de um ex-executivo do grupo, José Roberto Meirelles. A prática de caixa dois ocorreu quando Valle ocupava a presidência da empresa.

 

A primeira etapa da investigação trata de caixa dois eleitoral especificamente, que foi efetuado por meio de doleiros ou contratado em forma de "consultorias". O próximo passo será a investigação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

Quando questionado pelo Estadão sobre os políticos citados, um dos investigadores respondeu que “vai de A a Z". "Tudo que tiver de eleição nesse período está no acordo, até eleição de síndico de prédio tem lá", disse.

 

O objetivo dos repasses via caixa dois era conquistar a simpatia dos políticos para pleitos da CCR , segundo declarações de executivos da companhia feitas ao promotor José Carlos Blat.

 

Alguns Citados

Aloizio Mercadante (PT) – Foi beneficiário de R$ 1,7 milhão de caixa 2 recebido em 2010, quando foi candidato a governador do Estado de São Paulo pelo PT. Senador pelo Estado de SP entre 2003 e 2010, Mercadante foi ministro da Educação, da Ciência e Tecnologia e da Casa Civil durante os governos Dilma Rousseff (2011-2015).

Emídio de Souza (PT) – Pediu a um executivo da CCR R$ 3 milhões para a campanha de Mercadante de 2010. Foi a partir desse pedido que houve a destinação do R$ 1,7 milhão de caixa 2. Emídio foi prefeito duas vezes de Osasco, cidade da Grande São Paulo, já foi presidente do Diretório Estadual do PT.

Antonio Mentor (PT) – Recebeu R$ 150 mil de caixa 2 em 2012. Mentor foi deputado estadual pelo PT em São Paulo por vários mandatos. Não conseguiu se eleger para o cargo na eleição deste ano.

Luiz Marinho (PT) – Recebeu R$ 60 mil em 2012 supostamente com a ajuda do delator Adir Assad, por meio da compra de convites para um jantar de campanha do PT, comprados pelo próprio Assad. Ministro do Trabalho e da Previdência durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, Marinho foi prefeito de São Bernardo do Campo por dois mandatos. Foi candidato a governador de São Paulo pelo PT neste ano.

Edson Aparecido (PSDB) – Recebeu R$ 340 mil, entre dezembro de 2012 e março de 2013, por meio de terceiros. Atual secretário de Saúde da gestão Bruno Covas (PSDB), foi deputado estadual e federal por vários mandatos e foi secretário da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin em São Paulo.

Serra, Alckmin, Kassab e Marta
Além deles, o SP2 apurou alguns nomes e valores que constam nos depoimentos do executivos da CCR, sendo:

José Serra (PSDB) - R$ 3 milhões para campanha do senador José Serra, candidato à presidência da república 2010;

Geraldo Alckmin (PSDB) - R$ 4,5 milhões para a campanha do ex-governador Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo, também em 2010;

Gilberto Kassab (PSD) - R$ 2,8 milhões ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, para a criação do PSD

Marta Suplicy (PT) - R$ 1 milhão para Marta Suplicy, na campanha dela ao senado em 2010, quando ainda estava no PT

Campos Machado (PTB) - R$ 1 milhão para acertos de campanha do deputado Campos Machado.

Serra, Alckmin, Machado e Kassab afirmam que tiveram as contas aprovadas pela Justiça.

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