Bradesco é Investigado pela Força Tarefa da Lava Jato

A investigação esta sob sigilo, o banco diz que não foi notificado e que não comentará. Ele pode ter sido usado por Fernando Baiano em crime

 

Por André Shalders e Redação

 

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná abriu 1 inquérito para apurar possível fraude e falha no sistema de controle interno do banco Bradesco. O procedimento, que está sob sigilo, é o 1º envolvendo a instituição na Lava Jato.

 

Os procuradores apuram 1 caso de lavagem de dinheiro, no qual uma possível falha ou fraude do banco teria permitido que o operador Fernando Soares (Baiano) pagasse R$ 220 mil de propina. O dinheiro teria ido para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, por meio da compra de 1 Land Rover (modelo Evoque).

 

O episódio seria de 2012. O banco registrou em nome da mulher de Cerveró, Patrícia Anne, o pagamento de R$ 220 mil à concessionária que vendeu o carro. Na realidade, diz o MPF, o pagamento partiu de Fernando Baiano. A concessionária, chamada Autostar, já foi mencionada em outras investigações da Lava Jato.

 

Fernando Baiano (apelido) é um dos operadores de propina no esquema de corrupção instalado na Petrobrás, lobista assumido Fernando Falcão Soares, admitiu à Polícia Federal que a Odebrecht lhe pagou R$ 550 mil, em duas parcelas, enquanto ele estava preso.

Fernando Baiano passou quase um ano detido entre 2014 e 2015, em Curitiba, base da Operação Lava Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele disse à PF que o pagamento foi feito por uma ‘consultoria lícita’.

O lobista deixou a prisão após fechar acordo de delação premiada. Ex-aliado do deputado afastado e preso Eduardo Cunha (PMDB/RJ), Fernando Baiano foi protagonista de um repasse de propina de US$ 5 milhões ao parlamentar, em 2011, relativa à contratação de navio sonda.

 

Em 2 de junho deste ano, o lobista prestou novo depoimento à PF e foi questionado sobre as entregas de dinheiro em espécie feitas no endereço da Hawk Eyes – sua empresa – aos cuidados de seu irmão, Gustavo. Os valores teriam sido repassados, segundo a PF, pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

 

O nome de Gustavo foi identificado em uma planilha secreta de propina. O documento foi apreendido na casa da secretária de altos executivos da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, suspeita de ser responsável por parte da distribuição da ‘rede de acarajés’ – que seria referência a propina.

 

O lobista ligou o pagamento a uma consultoria sobre uma refinaria de Angola. Ele declarou que em 2009 foi procurado por Cezar Tavares e Luiz Carlos Moreira para que indicasse uma empresa possivelmente interessada em um projeto em Angola.

 

Segundo Baiano, a consultoria Cezar Tavares havia sido contratada pela Sonangol, no país africano, para desenvolver novos negócios.

 

O banco diz que não foi notificado oficialmente ainda, e por isso não se manifestará agora. A Procuradoria da República no Paraná também não comentará o caso, uma vez que está sob sigilo.

 

A portaria instaurando o inquérito foi publicada na 2ª feira (5.abr.2017). O caso passará ainda pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão (uma instância de controle do MPF) antes que as apurações tenham início. Este despacho do juiz federal Sérgio Moro (de 2015) detalha o episódio com as informações disponíveis à época.

 

No começo de 2016, a força-tarefa da Lava Jato começou uma apuração sobre o papel de bancos privados que trabalharam com o grupo Schahin. Não há notícias sobre o resultado. O episódio descrito acima, envolvendo o Bradesco, é conhecido desde o começo de 2015. Só agora será apurado.

 

O que mais intriga nos 3 anos da Lava Jato é o fato de os bancos brasileiros até agora terem saído incólumes. Apesar de bilhões de reais terem passado pelo sistema financeiro nacional. Esse fato relacionado ao Bradesco pode indicar que a indústria bancária começará a ser importunada por Curitiba.

 

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